Conheci o Michael Brooks pessoalmente em um dos melhores dias da vida dele. Michael havia acabado de fazer a sua histórica entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estava exausto mas muito feliz. Fomos apresentados na casa do Daniel Hunt, uma das metades do Brasil Wire junto com Brian Mier, tomando cerveja e conversando sobre política global, aventuras pelo Haiti e a situação do Brasil naquele momento. Michael me perguntou sobre meus planos e falou de colaborarmos no futuro. Depois que deixou o país, seguimos nos falando por WhatsApp – eu mandando notícias sobre o caos do nosso país e ele me enviando material novo, querendo sempre uma opinião sincera. Sempre positivo, atencioso, generoso e muito engraçado.
Como muitos, descobri o trabalho do Michael pelo YouTube, inicialmente como co-apresentador do The Majority Report de Sam Seder, um dos mais longevos programas diários de rádio online da esquerda dos EUA. E depois com seu próprio programa semanal, The Michael Brooks Show. Com um pé no mundo da comédia (havia tentado uma carreira de stand-up em Massachusetts, antes de voltar para Nova York), caiu como uma luva quando se juntou em 2013 ao Majority Report. Seder também vinha do universo do humor, trabalhando com figuras como Marc Maron e Sarah Silverman, e apresentando uma fase anterior do Majority Report ao lado de Janeane Garofalo.
Michael era reconhecido pelo seu humor rápido, pela sua risada inesquecível e pela capacidade de imitar os mais diferentes personagens do espectro político (Bashkar Sunkara lembra alguns clássicos no obituário que escreveu para a Jacobin: Recordando nosso amigo e camarada). Seu talento para zoar indefinidamente os tipos mais asquerosos da direita norte-americana o garantiu uma boa pilha de desafetos, e também um ótimo livro. Em Against the Web, o legado escrito de Michael, ele destrói alguns dos mais histriônicos elementos da chamada “Intellectual Dark Web”, nomes empenhados na normalização, com verniz de respeitabilidade, do supremacismo branco e do senso comum conservador, como Jordan Peterson e Sam Harris. Mas o Michael se destacava sobretudo por uma curiosidade incrível, uma inteligência ímpar e uma capacidade rara na esquerda estadunidense para se conectar com as lutas do resto do mundo, incluindo as nossas aqui na periferia do Capital.
A maioria dos brasileiros que seguia o trabalho de Michael chegou nele por uma questão bem específica: seu esforço incansável na campanha pela liberdade do ex-presidente Lula. Desde que Lula foi preso em 2018, Michael se tornou talvez uma das principais vozes (ao lado de Noam Chomsky) no cenário político dos EUA a clamar por sua libertação – chegou a ganhar o epíteto “o cara do Lula” de tanto insistir na causa, denunciando o encarceramento como uma ação de “lawfare”, repercutindo internacionalmente as descobertas da Vaza Jato do The Intercept Brasil, vestindo uma camisa que puída, de tanto usada, com o rosto do petista e concluindo qualquer participação pública, seja nos seus podcasts ou ao vivo, com um sonoro “Lula Livre”. Fez festa quando Lula foi solto. Quando finalmente os dois tiveram a oportunidade de ficar cara a cara, parecia que começava um novo ciclo virtuoso – a imagem de Michael que estampa as redes sociais nas mensagens lamentando a sua morte é dele ao lado de Lula, sorrindo efusivamente.

A conexão de Michael com o que acontecia fora do território norte-americano, uma característica rara mesmo entre autodeclarados esquerdistas estadunidenses, ia muito além de Lula. Por exemplo, sua recente série de documentários curtos, “Illicit History”, contou com episódios sobre grandes líderes da descolonização da África como Patrice Lumumba e Thomas Sankara, e ele estava conversando com personagens brasileiros para se aprofundar no papel da Teologia da Libertação na resistência ao Império na América Latina – como havia recentemente abordado em seu programa. Há poucos dias, conversou em seu programa com Vijay Prashad, da Tricontinental, discutindo o movimento dos não-alinhados e como as “guerras híbridas” reproduziam a hegemonia dos EUA no cenário internacional.
Um dos adjetivos mais frequentemente atribuídos a Michael por quem o conhecia de perto era “generosidade”, e não faltam testemunhos nas redes sociais de criadores e comunicadores que tiveram nele não só um espelho, mas alguém disposto a apoiar e dar plataforma às mais variadas novas vozes emergindo no complexo e disputado espaço de debate online da esquerda norte-americana. Michael ouvia, respondia, queria saber sobre a vida e o bem estar de cada uma dessa imensa teia de amigos que tiveram a vida tocada por ele.
A mensagem que Brooks deixa ao mundo pode ser resumida em um trecho do capítulo final de Against The Web: “precisamos de um socialismo cosmopolita, baseado nas necessidades materiais que se expressam através da crítica, da arte, dos movimentos sociais e de tudo mais que avança a política. Novamente, seguindo Gramsci, precisamos de uma abordagem integral, que funda desejos, aspirações e questões materiais universais com o reconhecimento de que, de fato, vivemos um mundo globalizado, interconectado e neoliberal, ainda definido pela sua desigualdade grotesca, por uma crise ecológica e pelo ressurgimento do autoritarismo de extrema direita. Nossa abordagem não pode ser apenas o ato de falar para as pessoas que elas estão erradas em se preocupar com as questões culturais que definem tanto suas vidas ou com opressões que nem sempre assumem formas econômicas. Na verdade, precisamos recapturar o espírito que atraiu o jovem marxista bengali MN Roy em 1920. […] Para MN Roy, o Segundo Congresso da Internacional Comunista foi uma revelação. ‘Pela primeira vez’, ele rememorou, ‘homens amarelos e pardos se encontravam com homens brancos que não eram imperialistas arrogantes, mas amigos e camaradas’”.
Descanse em paz, amigo e camarada, e que o seu riso não silencie nunca.







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