A lista dos artistas com dificuldades financeiras continua crescendo. Os cineastas mostram seu trabalho em festivais de cinema renomados, mas ainda recorrem ao financiamento coletivo para pagar a conta do veterinário. Escritores agonizam com a forma como os agentes das hipotecas receberão os pagamentos acumulados com contratos de ensino e eventos freelance. Músicos fazem turnês bem-sucedidas, mas voltam para casa com enormes dívidas, enquanto suas músicas amplamente transmitidas ganham uma ninharia.
Em 2012, uma das bandas indie mais populares do mundo, Grizzly Bear, compartilhou o quão pouco suas vidas mudaram desde o seu sucesso – um membro da banda permaneceu no mesmo apartamento de 42 metros quadrados, enquanto o restante ainda não tinha plano de saúde. Como as vendas de discos caíram, a banda passou a ganhar seu sustento por meio de licenças e turnês, mas, como o cantor Ed Droste explica, as vezes não tem como pagar aluguel por alguns meses.
Em uma era pós-Napster, artistas de todas os tipos enfrentam a expectativa de que os frutos de seu trabalho devem circular gratuitamente, tanto online quanto off-line, e quando as receitas do trabalho criativo escorrem, raramente chegam a um salário decente.
A vergonha persistente e o estigma sobre a pobreza fizeram com que alguns artistas tivessem cautela para admitir sua dificuldade em pagar suas contas. Uma blogueira graduada em escrita criativa escreveu: “Eu não tenho falado sobre o quão pobre eu estou, de maneira séria, ou quão aterrorizante é estar à beira do meu 30º aniversário imaginando quando terei moedas suficientes para lavar roupa novamente.”
No entanto, hoje em dia, cada vez mais artistas estão desafiando a postura boêmia de que os artistas devem evitar o capital econômico em favor da arte pela arte. Artistas e trabalhadores da cultura lambem cada vez mais as feridas dos boletos publicamente e desabafam sobre a elaborada dança da autorreinvenção na Era digital. Tornou-se moda discutir e até mesmo quantificar exatamente o pouco dinheiro ganho por projetos criativos. A matemática nunca esteve tão descolada.
Essas confissões vêm do desejo de conscientizar sobre os meios de subsistência dos artistas e chamar a atenção para os desafios contemporâneos de ganhar a vida com o trabalho criativo. Histórias como a do Grizzly Bear trazem imediatismo e detalhes para realidades econômicas amplas e duras e podem ser veículos para a empatia, construindo pontes para o leitor se compadecer com seus semelhantes.
Mas além da compaixão, não está claro se essas histórias desempenham algum papel que instiga mudanças ou cria condições de trabalho mais favoráveis. Histórias de luta se tornaram uma maneira normalizada de falar sobre a dificuldade de ganhar a vida com o trabalho criativo em uma economia pós-crise; mas contar essas histórias faz algum bem, ou desempenha algum papel em ajudar os artistas a encontrar seus pares em tempos economicamente estagnados?
Estamos vivendo em uma Era na qual a fama não significa fortuna, apesar das percepções dominantes de que alcançar visibilidade equivale ao sucesso financeiro. O ensaísta David Rakoff satirizou a “velha fantasia do caos carnal de panos manchados de tinta, cavaletes, terebintina, garrafas de vinho importado embrulhadas com palha segurando gotas de velas, e modelos nus rebolando”, destacando o quão doloroso, tedioso e solitário o trabalho artístico pode ser.
Fazer arte “requer o oposto de sair” e muitas vezes é “uma tarefa profundamente solitária e sem graça tolerar a si mesmo tempo suficiente para colocar algo para fora”, caracterizado por uma “falta de segurança financeira e horas necessárias de solidão gastas se fodendo repetidamente”.
Mas a maioria das pessoas ainda considera fazer arte um privilégio, demonstrada pela reação imediata às conversas sobre artistas sendo pagos de forma justa por seu trabalho, particularmente quando o artista é, ou parece ser, rico. O lançamento do Tidal — um site de streaming de música desenvolvido por artistas, embora longe de ser uma panaceia, busca distribuir mais igualmente os ganhos aos criadores — foi recebido com uma revirada de olhos, e alguns comentários ironizaram a ideia de artistas ricos ficarem mais ricos.
Quando David Byrne, do Talking Heads, declarou recentemente que estava retirando seu catálogo do Spotify por causa das míseras receitas do serviço, além de preocupações com a sustentabilidade desse método de distribuição para artistas emergentes, os comentários não foram nada simpáticos. “As pessoas verdadeiramente criativas têm prazer em compartilhar seu trabalho e ideias gratuitamente”, alguém escreveu. Outro comentário dizia: “Se você está apenas sendo criativo para ficar rico, então eu dispenso a sua merda de arte e espero que você vá à falência.”
Da mesma forma, grande parte da resposta volumosa e acalorada aos desafios pós-fama do Grizzly Bear buscou tirar o crédito da história de luta da banda. Os comentários citavam o pedigree da família de Droste – incluindo um primo que fundou o Hooter’s – e os restaurantes da moda onde ele foi visto.
O célebre autor britânico Rupert Thomson recentemente falou sobre os efeitos esmagadores da Grande Recessão na capacidade dos escritores de ganhar a vida a partir de seu ofício. Aos 60 anos, ele não tem mais condições de alugar um escritório para escrever. Em vez disso, Thompson decidiu transformar um pequeno canto de seu sótão – uma área tão pequena que ele mal pode ficar em pé – em um espaço de trabalho. “Eu não tenho renda privada, nenhuma esposa rica, nenhuma herança, nenhuma pensão. Não tenho nenhuma rede de segurança”, disse ele.
Ainda assim, os comentários online debateram o mérito de dar a Thompson qualquer apoio. Alguns sugeriram que ele deveria ser grato por estar fazendo algo que ama, que ele possui uma casa, que é capaz de converter seu sótão em um pequeno espaço de trabalho. Outros sugeriram que esperar sobreviver da escrita foi imprudente, para começo de conversa.
É difícil imaginar essa reação a histórias de trabalhadores de outras profissões lamentando sua capacidade vacilante de ganhar a vida com um trabalho bem remunerado.
Quando histórias de luta de artistas estão enraizadas na experiência individual de artistas ou bandas, o público muitas vezes reage mal e desmerece, encontrando falhas na história ou sugerindo que o indivíduo não seja um porta-voz confiável para o problema que está sendo articulado. Mas debater até que ponto os membros do Grizzly Bear, Rupert Thompson, ou qualquer outro artista lutam ou não financeiramente é inútil e não aborda por que os artistas lutam, quais lições podem ser aprendidas com suas histórias e quais soluções podem ser desenvolvidas.
Não é uma questão de desenterrar um garoto propaganda mais apropriado para a causa dos artistas passando necessidade. Se quisermos melhorar o lote de artistas, precisamos mudar as engrenagens de um discurso “coitado do artista” para um sobre a importância da arte e a necessidade de apoiar a criação da arte a nível social.
Essa nova conversa dependerá, em parte, do desenvolvimento de novas formas de pensar as lutas dos artistas e da direção do foco da produção cultural para longe dos praticantes individuais. Há alguns trabalhos recentes em particular que nos ajudam a conceituar esses problemas.
Em seu livro The Public Platform: Taking Back Power and Culture in the Digital Age, a autora Astra Taylor primeiro pergunta qual importância dos artistas ganharem dinheiro. Ao responder a esta pergunta, ela se baseia em histórias de dificuldades individuais de artistas, citando até mesmo sua própria experiência de receber US$ 20.000 por uma produtora independente por dois anos de trabalho intenso para fazer seu documentário Examined Life, apenas para ter o filme disponibilizado em sites de torrents logo após sua estreia.
Taylor conta essas histórias não apenas para mostrar os desafios da produção de arte na economia atual, mas também para fazer um argumento mais amplo sobre o papel da arte e da cultura no fomento de uma esfera pública democrática informada e engajada. Para ela, a cultura democrática significa o acesso amplo e igualitário tanto aos instrumentos de criação quanto aos meios de disseminação.
Se artistas não podem ganhar a vida com seu trabalho criativo, eles eventualmente jogarão a toalha. Assim, Taylor afirma que a intervenção política é necessária para garantir que as grandes corporações não monopolizem a esfera cultural. “Nossas vidas são melhoradas pelas externalidades positivas que a arte e as ideias produzem; nosso mundo fica mais bonito, mais interessante, mais ambicioso.”
Em Culture Crash: The Killing of the Creative Class, Scott Timberg também enfatiza o papel das instituições no apoio ao trabalho criativo. Ele observa que, desde a Grande Recessão, não são apenas artistas ou criadores que foram afetados — pessoas que desempenham papéis de apoio, como DJs, atendentes de livrarias, cenógrafos e editores também foram duramente atingidas.
E as instituições não desempenham apenas um papel incubador para a produção cultural — elas também fornecem emprego para uma ampla parcela da população. Então, quando os discos não vendem, não são só os artistas que sofrem. Timberg afirma que não importa se alguém trabalha como artista ou em um papel coadjuvante, “estamos todos juntos nisso.”
Como fomentar esse sentimento de solidariedade, não apenas entre os trabalhadores da cultura e aqueles cujo trabalho acaba sendo um apoio, mas também entre o público em geral?
O primeiro passo importante é enquadrar a produção da arte como obra, não como um privilégio. Apesar do suposto glamour de ser um artista, a maioria ganha uma renda que chega perto ou até abaixo da linha de pobreza.
Além de desafiar essas percepções, precisamos recapturar a ideia de que a arte e a cultura podem desempenhar funções públicas: a arte educa, a arte provoca, a arte transforma, a arte eleva, a arte acalma, a arte imagina outros mundos. O perigo de não apoiar artistas e trabalhadores da cultura é que essas funções são deixadas nas mãos das elites.
Também precisamos ampliar o acesso à criação da arte, como parte de um esforço mais amplo para apoiar o ciclo de produção artística desde a criação até sua disseminação. Isso envolverá a mudança de doação de subsídios individuais para artistas individuais e, em vez disso, o financiamento de instituições públicas — como espaços de trabalho compartilhados e moradias acessíveis — além de garantir que pequenos espaços possam continuar operando e apresentando trabalhos criativos.
A discussão dos detalhes também é essencial – lutar por licenças, licenciamento e zoneamento para a produção cultural poderia impedir o despejo de artistas devido à escalada da especulação imobiliária, reclamações de barulho ou multas por colocar cartazes em espaços públicos quando as áreas forem rezoneadas. Uma enorme parte dos trabalhadores da cultura não têm acesso à plano de saúde, licenças parentais, previdência e outras proteções. Desenvolver uma cultura sustentável também significa abordar essas questões.
Taylor sugere que momentos históricos particulares incentivem novas iniciativas de apoio cultural. A Grande Depressão viu o nascimento da Workers Progress Administration, como parte do New Deal, que empregou músicos, escritores, artistas visuais, atores e diretores em um Projeto Federal.
A Guerra Fria deu origem ao National Endowment for the Arts, após o Congresso decidir que “embora nenhum governo possa criar um grande artista ou estudioso, é necessário e apropriado para o governo federal criar e sustentar não apenas um clima encorajador da liberdade de pensamento, imaginação e investigação, mas também condições materiais que facilitem a liberação deste talento criativo.”
Neste momento econômico, é hora de um novo New Deal. Muitos tipos de trabalhadores sofrem um estresse material substancial, mas precisamos incluir artistas nesses trabalhadores em dificuldades, em vez de descartar suas histórias como o choro desnecessário de pessoas que têm o privilégio de fazer o que amam.
Em vez de assumir que a capacidade de produzir arte é um luxo, podemos apoiar o trabalho criativo para que seja mais acessível e para que mais pessoas possam continuar em suas profissões criativas em vez de ter que desistir dela para encontrar um emprego mais estável.
A teórica da cultura Angela McRobbie sugere que o subemprego estrutural generalizado significa que é hora de reimaginar o trabalho criativo desenvolvendo estruturas para “estratégias de cooperação social” para que as energias criativas dos jovens possam ser direcionadas para o bem comum de maneiras que vão além do voluntariado. A renda básica universal, por exemplo, poderia permitir que os artistas desenvolvessem projetos criativos direcionados para um maior envolvimento da comunidade.
McRobbie pede a renovação de cooperativas e empreendimentos sociais radicais, incluindo programas de alfabetização e educação de rua, oficinas de fotografia ou outros projetos de melhoria urbana e ambiental. Os artistas têm a capacidade de fazer intervenções em problemas sociais prevalentes, mas essa capacidade não pode ser deixada apenas para o mercado ditá-la.
Resta saber como reunir apoio público para tais iniciativas. Quando o problema de ganhar a vida é apresentado como uma história individual, é fácil descartá-lo como fracasso individual.
Espera-se que os artistas se reinventem, recorram ao crowdfunding (financiamento coletivo) e se espremam para sair de suas dificuldades. Mas não podemos depender de crowdfundings para ter um amplo apoio público à cultura ou para abordagens mais sustentáveis da produção cultural. Precisamos deixar de narrar lutas individuais e passar a discutir desafios para toda comunidade com soluções coletivas.
Histórias de luta importam, mas precisamos começar a discutir por que essas histórias importam e o que será perdido se apenas os ricos puderem seguir uma carreira cultural.













[…] um status único dentro dela que permite a eles expressar sua individualidade criativa – contanto que isso venda. Eles temem que o socialismo os privaria desse status e os reduziria ao nível de meros […]
Thank you for your sharing. I am worried that I lack creative ideas. It is your article that makes me full of hope. Thank you. But, I have a question, can you help me?
I don’t think the title of your article matches the content lol. Just kidding, mainly because I had some doubts after reading the article. https://www.binance.com/join?ref=P9L9FQKY
Your article helped me a lot, is there any more related content? Thanks!
Um die nächste gute Option im Dendera Casino zu finden, kontaktieren Sie uns einfach.
Dieser Scheck geht schnell und stellt sicher, dass jeder im
Casino einen fairen Bonus erhält. Reloads, Freispiele und
Cashback-Codes werden häufig geändert, sodass Stammkunden immer eine neue Auswahl haben.
Für mehr Sicherheit und um neue Spielerboni zu erhalten, empfehlen wir, ein Konto
über unsere offizielle Website zu erstellen. Sie
können Freispiele, Reload-Boni und regelmäßige Turniere für Spieler aller Fähigkeitsstufen erhalten. In Ihrer
Gegend gibt es Altersgrenzen (18+) und Gesetze, die Sie immer
überprüfen sollten, bevor Sie um echtes Geld spielen. Sie können das Konto bei Bedarf sofort einfrieren und erhalten bei jeder Einzahlung, Geldabhebung oder Änderung des Limits eine Benachrichtigung.
References:
https://online-spielhallen.de/ihr-ultimativer-leitfaden-zum-sol-casino-aktionscode/
The gambling laws that regulated Queensland casinos will
put in place to protect the players and the casinos. Whether you’re looking for a Vegas-style casino or
a reserved gambling experience casino in Queensland, Australia will offer you that.
This program enhances the guest experience by making loyalty a tangible benefit that extends beyond the gaming
floor, rewarding players for engaging with all aspects of the resort.
It’s a low-pressure game that doesn’t require the same level
of strategy as poker or table games, but still offers the thrill
of waiting for your numbers to be called. Poker enthusiasts will find plenty to
enjoy at The Ville Resort Casino, where live poker tables offer a chance to
engage in one of the world’s most beloved card games.
The excitement of reading opponents, bluffing, and making calculated bets is a big draw for those who enjoy the strategic aspects of poker.
Whether you’re looking to test your skills against others in a friendly game or participate in one of
the competitive poker tournaments, there are opportunities for players at all levels.
Whether you’re a fan of classic pokie games with simple mechanics or prefer the excitement of modern video pokies packed with engaging features, there
is something for everyone. New members of the Vantage Rewards program receive a welcome offer, which may include free play or other benefits.
References:
https://blackcoin.co/bestes-echtgeld-online-casinos-in-deutschland/
The gambling act does not restrict International casino sites from offering the players their favourite
casino games. This casino lies on the Gold Coast and has succeeded and offering Australian players an amazing gambling
experience. Players look forward to this
weekly event as it offers more than just gaming rewards—it
provides practical, tangible prizes that can be used outside of the
casino. For players seeking a more relaxed gaming experience, Keno at The
Ville Resort Casino offers a lottery-style game that combines simplicity
with excitement. Guests can enjoy a wide range of casino games, from
classic table games like blackjack and roulette to modern poker machines.
With a great selection of gaming machines and table games along with TAB and Keno
facilities, this is definitely the only place to play.
The Ville Resort Casino offers an extensive range of
gaming options that cater to both casual players and seasoned
gamblers. Sign up for news, offers, and invitations
to the things we love to share and enjoy So not only are there tons of
things to do outside the Casino however you can enjoy a wide range of entertainment within the
casino walls.
References:
https://blackcoin.co/allslots-casino-poker-no-deposit-bonus/
online real casino paypal
References:
jobshop24.com
online casino with paypal
References:
https://www.madeinna.org
Can you be more specific about the content of your article? After reading it, I still have some doubts. Hope you can help me.